Silvestre Kuhlmann

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Bendizer

Bendizer

Não conheci o meu avô paterno. Ele faleceu antes do meu nascimento.Um dia, interessado em conhecer um pouco da história dele, perguntei à minha avó como ele era e o que fazia, entre outras coisas.

Ela me disse que meu avô era botânico, um grande conhecedor da nossa flora, e ia, às vezes, pesquisar as espécies vegetais em companhia de ornitólogos ( biólogos especialistas em aves ). Me disse também que todos os dias meu avô a acordava pela manhã, levando o café na cama, dizendo assim: “Vem, meu colibri, estou tão sozinho, vem me fazer companhia”. No outro dia ele usava o nome de uma flor: “Vem, meu girassol…”.Todos os dias, nomes de flores e de passarinhos diferentes. Ele não era um poeta profissional, mas comparava a beleza da minha avó com o colorido das flores, seus aromas, a leveza das aves, sua liberdade.

Sinto-me desafiado, pelo exemplo de meu avô, a aprender a bendizer, a cultivar o elogio no dia a dia , e comparar a pessoa amada a “tudo o que brilha, que voa, que é livre e belo”.

Há um problema . Nossa língua, e todas as demais são limitadas para bendizer Aquele que é Santo, Puro, Belo, Eterno, Amor, Justo, Imutável, Infinito , Mistério, Pai, Bom, Salvador, Misericordioso…Opa! Estou bendizendo!

Que todos os dias eu busque conhecer mais a Deus e seus atributos. Que o Deus, mistério para a mente e invisível aos olhos, se faça real no coração e na experiência.Que sua Presença me leve a enxergar a vida de modo diferente, cheio de gratidão por Sua revelação na Natureza, em Cristo, no Espírito que habita em mim, no irmão, na Igreja e em tudo o que me cerca.

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